Tubos de Aço – A Bonança do gás natural nos EUA

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O desempenho cada vez melhor de uma enorme usina de tubos de aço da U.S. Steel Corp. nesta pequena cidade americana tem tudo a ver com o que está embaixo dela: depósitos gigantescos de gás natural barato.

Bobinas de aço brilhante saem da linha de produção, destinadas a petrolíferas especializadas na perfuração da formação Marcellus de gás natural de xisto no subsolo de boa parte do sudoeste do Estado da Pensilvânia. A produção dos chamados bens tubulares ou tubos de aço carbono usados para fazer os dutos, tubos e juntas necessários para a perfuração de gás dobrou nos últimos dois anos, diz Scott Bucksio, gerente geral da usina, à medida que as petrolíferas se apressam em extrair quantidades cada vez maiores de gás dos depósitos de xisto.

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Associated Press
Outro aspecto tão ou mais significativo para as siderúrgicas, cujo processo de produção consome muita energia, é que as recentes descobertas de gás natural abundante “também mantêm seus próprios custos baixos”, disse Bucksio, da U.S. Steel.

Com uma queda de mais de 35% nos preços do gás natural em comparação com um ano atrás, para US$ 2,21 por milhão de unidades térmicas britânicas, graças à oferta abundante, a empresa começou a substituir o carvão por gás natural para abastecer seus altos-fornos.

Na indústria em geral, uma tonelada de aço custa em torno de US$ 600 para produzir. A utilização de gás natural em vez de carvão para fazer funcionar os fornos reduz os custos em US$ 8 a US$ 10 por tonelada. Com base nesses números, a U.S. Steel poderia economizar US$ 133 milhões só este ano, de acordo com um relatório recente do UBS AG, que também informa que a empresa, com sede em Pittsburgh, poderia economizar outros US$ 80 milhões em 2012 em custos em energia para as operações de fornos elétricos.

O boom do gás chega num momento propício para a U.S. Steel, a maior siderúrgica do país e 8a maior do mundo, com 37.400 trabalhadores em todo o globo.

Depois de divulgar prejuízos nos últimos três anos, a cotação da ação da empresa, que chegou a cair para US$ 20,19 no ano passado, caiu 0,74% ontem, para US$ 29,32, o que ainda representa uma alta de 13% nas últimas três semanas. A empresa prevê uma melhora significativa nos resultados financeiros para o primeiro trimestre, em grande parte devido aos benefícios duplos do boom de gás natural.

A U.S. Steel entregou cerca de 1,8 milhão de toneladas de produtos tubulares utilizados na perfuração e transporte de gás natural e petróleo em 2011, um aumento de 17% em relação aos níveis do ano anterior. Os preços para os produtos de qualidade mais alta subiram 7,9%, para US$ 1.612 por tonelada, elevando a perspectiva de lucro da empresa.

“O desenvolvimento de recursos de xisto tem o potencial para fazer contribuições positivas significativas para a U.S. Steel”, disse o diretor-presidente John Surma, em um discurso recente.

E outras indústrias também se beneficiam. Os baixos preços do gás natural, se sustentáveis, representam uma vantagem competitiva em toda a base manufatureira dos Estados Unidos. O gás natural custa US$ 11,35 por milhão de BTUs no noroeste da Europa e US$ 15,9 dólares no Japão, segundo a firma de pesquisa Platts.

“As empresas que deixaram os EUA em setores como o de produtos químicos e fertilizantes estão falando em voltar para aproveitar o baixo custo do gás”, diz Don Norman, economista da Aliança Para a Produtividade e Inovação Manufatureira, uma entidade setorial.
Em janeiro, a Methanex Corp., de Vancouver disse que iria transferir uma usina para a produção de metanol, usado na fabricação de plástico e outros materiais, do Chile para Louisiana. Na época, Bruce Aitken, diretor-presidente da empresa, citou “a perspectiva de baixos preços do gás natural norte-americano” como principal razão para a mudança.

Outras siderúrgicas também têm visto uma forte demanda de empresas de perfuração de gás. O total de remessas de produtos tubulares aumentou de 3,9 milhões de toneladas em 2009para 7,3 milhões de toneladas no ano passado, de acordo com o Instituto Americano de Ferro e Aço. O setor siderúrgico teve um melhor desempenho que o mercado como um todo nas últimas três semanas, com as ações da U.S. Steel, Gerdau SA, ArcelorMittal e outras grandes siderúrgicas subindo mais de 5%, enquanto a Média Industrial Dow Jones subiu 2,2%.

“O boom do gás também está colocando pressão de queda sobre os preços do carvão”, diz Robert Ineson, analista do mercado gás da IHS Inc., outro benefício colateral para as siderúrgicas.

Mas o aumento na produção de gás natural poderia ser de curta duração. Os preços da commodity caíram tanto ? há quatro anos, o milhão de BTUs custava US$ 9 ?, que algumas empresas, como a gigante Chesapeake Energy Corp. estão reduzindo seus investimentos em gás.

(Colaborou Kris Maher.)

Fonte: The Wall Street Journal (http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303816504577308233294339356.html)